Expertise - O Blog da Sheila Campos


09/04/2009


Breves e doces!!!...

Ele me surpreende!

Junto ao filtro, alternamo-nos para beber água; ele vê uma mecha de cabelos brancos no alto de minha cabeça.

- (Rindo) Está cheia de cabelinhos brancos, né, amorzinho?

- (Rindo) É!!!!

Ele ri mais e me abraça:

- Faz mal, não! Quero ficar com você muitos e muitos anos, vou ver essa cabeça toda branquinha!...

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Dia qualquer da semana, cedinho:

- Estou indo, amorzinho!

- (Meio dormindo, meio acordado) Você é o amor da minha vida.

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Pleno Beirute, meio da semana, ele e um amigo em uma mesa.

Já não havia nenhuma vazia no lugar.

Para duas conhecidas:

- Não vão sentar, não!

- Por que não?

- Minha mulher é brava! Nervosa!... Ela vai chegar daqui a pouco!

O amigo ainda reforça:

- Vai chegar, quebrar uma garrafa e virar essa mesa aqui! (Risos)

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Meio de conversa na casa de amigos:

- A nossa família é pequena, também: só eu e a Sheila!

 

 

 

A felicidade existe!!!! E é densa, cor-de-rosa, com um perfume delicioso e nos envolve inteiros!...

 

 

 

 

 

Escrito por Sheila Campos às 18h46
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30/03/2009


Eu que te amo tanto!...

“Virgem - 23/08 a 22/09

Relacionamentos profissionais estarão aquecidos no início da semana, que promete sucesso no trabalho e maior popularidade. (...) Oposição entre Saturno, em seu signo, e Marte, na sua área afetiva, poderá causar inseguranças na vida íntima, mas será um bom momento para descartar fantasias e expectativas irreais. Uma visão mais objetiva do que quer para o futuro, a dois, influenciará escolhas construtivas”.

 

Eu o amo completa e incondicionalmente!...

Amo seus pés, suas pernas, joelhos, coxas e virilhas; amo seu sexo, sua barriga, costas, peito e ombros; seu pescoço, rosto e cabelos; as mãos que me pacificam quando tocam, sua voz, seus movimentos, opiniões, personalidade, presença – eu o amo profunda e perdidamente!...

Com você venho aprendendo a amar!... Conviver com diferenças, confiar, repousar tranquilamente sabendo que você não me faltará: das reviravoltas cinematográficas às mais íngremes estradas, tudo eu superei para chegar até você. Finalmente, descanso: você me permite sentir protegida, amparada e segura. Minha paixão só aumenta e, com ela, minha ternura, acolhimento, embevecimento – um afeto que ainda não experimentara!...

Eu o amo completa e incondicionalmente! Estou ao seu lado para conquistarmos sonhos e vencermos dificuldades, para cuidarmos um do outro e nos desafiarmos a superar nossos próprios limites! Juntos, nos tornamos melhores do que éramos. Juntos, crescemos. Minha paixão nunca se esgota, ao contrário: a cada dia, volto a me apaixonar como no primeiro beijo!

Muita alegria Deus já me havia concedido. Mas, talvez, eu não a percebesse tão claramente... Junto a você, eu sou feliz! E sei que sou feliz! Ao seu lado, descubro singelezas... A grandiosidade dos milagres cotidianos, simples, despojados... O que sinto por você me faz forte para acreditar que tudo é possível, e humilde o suficiente para todos os dias agradecer a benção de ter conhecido o amor.

 

 

Escrito por Sheila Campos às 18h54
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16/03/2009


O último respiro antes do naufrágio...

Eram quase cinco da tarde desta sexta-feira. Eu tinha que imprimir todo um projeto em duas vias, xerocar documentos comprobatórios das informações (também em duas cópias), encadernar tudo em uma ordem meticulosa e deixar os envelopes lacrados para P. postar nos Correios.

 

Mas, além disso, eu tinha que passar na faculdade onde dou (dava?) aulas por causa da péssima notícia "extra-oficial" que recebera, e que me fora dada justamente hoje por duas colegas também afastadas neste semestre... Ligou-me uma delas com uma urgência que sempre me assusta: estavam no Sindicato da categoria e foram alertadas que nosso afastamento do exercício docente consistia em uma ilegal redução de salários; e que, pior que isso, era, em verdade, uma estratégia perversa para nos desligar da Instituição baixando as obrigações que teriam que nos pagar...

 

Já me sentia desesperada antes dessa novidade; encontrara P. no "Balaio Café" às 10 horas da manhã para concluirmos o projeto no qual vimos trabalhando, juntamente com L., há mais de um mês - e que já teria sido enviado ontem, não tivesse a Instituição financiadora mudado as regras "no meio do caminho" sem avisar ninguém e sem ampliar os prazos (!)... - Mas "assombrava" nosso encontro a chegada de uma professora de São Paulo, convidada para participar de banca examinadora de uma orientanda de P. hoje - e a quem ele teria que buscar no aeroporto -; e a chegada de um amigo de meu marido também hoje, vinda que fiquei sabendo ontem à noite, e que significava que também eu estava destinada a interromper o trabalho em seu momento mais crítico para disponibilizar-me a outras demandas!...

 

A expectativa dessas interrupções me martirizava; para agravar toda a situação, não conseguia sentir-me bem fisicamente. Um sono irredutível, uma dorzinha de cabeça atordoante, estafa - em verdade, o drama poderia ser assim resumido: trabalhávamos, esforçávamo-nos, mas avançávamos muito pouco!...

 

P., que é uma das pessoas mais calmas que jamais conheci, sugeriu que almoçássemos; não sentia fome ainda, mas imaginei que um grande prato de salada me ajudaria. E estava "no meio" dessa refeição quando recebi a ligação avisando que R. havia chegado. Comi tensa e enfrentei um engarrafamento indescritível da asa norte à asa sul.

 

- Eu não deveria ter interrompido meu trabalho para atender a uma demanda tão simples de meu marido... Mas não tenho "forças" para dizer-lhe "não". Não sei explicar o porquê disso. Lembro-me da época em que fiz um tratamento com florais para, justamente, aprender a dizer "não" às pessoas e estabelecer meus limites. Por que esta dificuldade se apresenta agora, em nova roupagem? -

 

Não só fui com meu marido buscar o amigo no aeroporto como, diferente do que intimamente planejava, acompanhei-os ao restaurante. Uma vez lá, diante da animação e alegria dos dois, almocei um segundo prato de salada (!).

 

(Por que o fiz? Porque tive medo de que consistisse em uma grosseria não fazê-lo...)

 

Deixei nosso amigo na w-3 sul e telefonei para L., que precisava me entregar documentos, para que nos encontrássemos na UnB. E foi nesse ínterim que recebi a ligação das colegas de trabalho, e me senti ansiosíssima, desnorteada, mas tinha que encontrá-las para buscar um modelo de documento a ser encaminhado ainda hoje (!).

 

(Continua)

Escrito por Sheila Campos às 18h47
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O último respiro antes do naufrágio... Final.

(Continuação)

 

Sem avisar L., que me esperava, "desviei a rota" para o setor comercial sul - o maior "labirinto" e a mais próxima "visão do inferno" que se tem em Brasília, em termos de caos no trânsito e aglomerado de pessoas!... Sem encontrar uma mísera vaga, parei em fila dupla e corri para dentro da lanchonete em que estavam, para avisar de minha chegada; fui multada nesses cinco minutos! Conversei rapidamente demais com elas, mas demoradamente em relação aos que me esperavam na UnB, e cheguei ao meu compromisso chocada, decepcionada com a faculdade na qual dei milhares de horas-aula gratuitamente, por puro zelo em relação aos meus alunos, angustiada com a perspectiva de um desligamento, confusa e oprimida - mas atrasada o bastante para ainda ter aborrecido meus companheiros de projeto.

 

No momento em que cheguei, P. precisou sair para o aeroporto. Tive algumas últimas orientações de uma L. que me pareceu desgostosa, concluí o formulário, revi os documentos que possuía, mas... Tive que descer para assistir à Defesa de Dissertação da orientanda de P., porque já não podia avançar sozinha. Não sabia como imprimir tudo no papel timbrado da instituição, não encontrara Xérox aberta para fotocopiar o que precisava, não tinha mais autonomia...

 

Desci e procurei me acalmar. "Tudo daria certo". O evento atrasou quase duas horas porque, como me esqueci de contar, o vôo da professora havia sido cancelado, e após muita procura da reserva feita pela UnB, a haviam encaixado em outro vôo... Todo esse transtorno foi comunicado a P. por celular quando trabalhávamos no "Balaio", e eu me assombrei com a serenidade que ele aparentava manter; em uma situação como aquela, acho que eu gritaria, choraria e arrancaria os cabelos!... :D

 

A orientanda de P. defendeu sua dissertação e foi extremamente elogiada pelos examinadores. E eu chorava de cansaço, de decepção com a notícia que recebera, e porque me prejudiquei ao priorizar meus alunos, minhas aulas, meu vínculo com a faculdade na qual leciono; prejudiquei-me ao não mais sentar para estudar, refletir e escrever, mas somente para pesquisar para aulas e corrigir inacabáveis trabalhos!... Eu a-ban-do-nei o que deveria ser minha única prioridade pelo prazer imediatista que a experiência em sala de aula me proporcionava!

 

E a notícia dada por minhas colegas não poderia ter sido mais desestruturante.

 

A defesa acabou e consegui concluir, com P., a confecção dos documentos, sacrificando o que deveria ser a justa comemoração dele, junto a seus alunos, pelo bom trabalho realizado... Senti um mixto de vergonha, constrangimento, e desespero: não havia como poupá-lo.

 

Por fim, deixei-o com os envelopes lacrados para serem depositados no correio e vim para a Rádio imersa numa espécie de dor física, de desencanto maior que eu mesma, sentindo um estrangulamento na garganta, absolutamente decepcionada, perguntando-me o porquê de todos agirem com tanta convicção em defesa de certos ideais se a realidade não mudará em nada...

 

 

 

Escrito por Sheila Campos às 18h40
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12/01/2009


Bolsas, bobagens e algumas dúvidas nem tão bobas assim...

Desde que nascem, as coitadas das mulheres já carregam a velha sina de andar com bolsas.

O tipo de bolsa e o seu conteúdo determinam a idade que você tem.

Avalie-se:

De 0 a 6 meses:
Sua bolsa é da loja infantil, todinha rosa, e custou por volta de R$ 200,00...
O que tem dentro:
- 1 pacote de fraldas descartáveis creminhos e lencinhos, tudo rosa
- 2 chupetas rosa
- 3 mudas extras de roupinhas cor-de-rosa
- 1 mamadeira com leite com a tampa rosa
- Uma infinidade de paninhos cor-de-rosa
- Uma pequena farmácia

10 anos de idade:

Sua bolsa tem a Barbie estampada na frente, e custou por volta de R$ 50,00.
O que tem dentro:
- Prendedores e fivelinhas coloridas
- Diário íntimo da Barbie
- Um gloss. com gostinho de chiclete
- Pente fluorescente com cheirinho de morango
- Foto do Kaká
- 5 Reais
- Telefone Celular da Xuxa ou Sandy & Jr
- Carteirinha do Colégio
- Chave do diário da Barbie e do cadeado da bicicleta
- Um panda de pelúcia

20 anos:

Sua bolsa é do camelô ou da feirinha, e não custou mais de R$ 15,00...
O que tem dentro:
- Óculos com lentes coloridas
- Anticoncepcionais e camisinha
- Agenda
- Escova, ruge e batom
- Foto do namorado
- Dinheiro trocado
- Telefone Celular que troca a frente e toca musiquinha
- Chaves de casa
- 1 CD Player portátil
- 3 CDs

30 anos:

Sua bolsa é da Victor Hugo ou Louis Vuitton, não custou menos de R$ 2.000,00..
O que tem dentro:
- Óculos de sol
- Adoçante em saquinho
- Agenda eletrônica - Nécessaire (combinando com a bolsa)
- Foto do seu bebê, quando tem filho
- Cartão do banco
- Telefone Celular pequeno e moderno.
- Chaves de casa e do carro

40 anos:

Ainda usa a mesma bolsa dos 30, afinal foi caríssima...
O que tem dentro:
- Óculos de sol e de grau
- Lexotan
- Telefone Celular desligado ou sem bateria
- Pinça de depilação e algumas lixas de unha
- A mesma foto de sempre do seu bebê
- Cartão do banco, de crédito e débito
- Chaves de casa, do carro e do escritório

 

Achei que há alguma coisa errada comig..., errr, com minha bolsa, ao ler a "síntese" acima e achá-la compatível com a realidade à minha volta!

Mulheres "poderosas", bem-sucedidas profissionalmente, exibem uma VH ou LV por aí com um celular igualmente caro e cheio de recursos, óculos de sol maravilhosamente bom (e caro), nécessaire e palm top, de forma tão natural que me senti "estacionada" nos 20 anos!

Aí, aos 37, penso: sinto-me muito confortável com meus vestidões, chinelos (e meu marido morrendo de rir a cada vez que nego ser "hippie") e minhas bolsas de todas as cores e tamanhos, de feirinhas e brechós, lado-a-lado com as bolsas caras que ganho de minha mãe; mas, não seria hora de adotar scarpins e saias lápis, meias calças e acessórios de grife, "mergulhando" de verdade em busca de uma carreira de sucesso?

As coisas parecem ter acontecido em momentos trocados. Aos 17 anos, fui trabalhar no Itamaraty e ganhava mais que minha madrinha, que era caixa do Banco do Brasil e sustentava a dois filhos e um afilhado, à época. Não comprei jóias, bolsas e roupas caras; não comprei meu primeiro carro, não financiei um apartamento, nem mesmo viajar adoidado viajei... Torrei tudo o que recebi em mesa de bares com os amigos durangos e otras cositas más...

Depois, alternaram-se momentos de penúria e de conforto. Montei várias casas, duas delas particularmente lindas, que desmontei (doando tudo!) devido a motivos extremos: fim de casamento e desemprego. Nunca me preocupei com as marcas de minhas roupas. Tenho óculos de sol muito bom, que me custou quase trezentos reais, mas que comprei de forma improvisada, quando trabalhava em uma campanha eleitoral no interior de Minas Gerais e me dei conta de que não havia levado o meu... Adoro as sandálias da Arezzo, mas, neste exato instante, meus pés descansam em um chinelo de dedo, apesar de eu estar na Rádio, trabalhando. 

A verdade é que desprezei por longo tempo a preocupação com dinheiro e mesmo os índices de sua posse... Qualquer conjunto escovinha no cabelo + tailleur + bolsa cara, para mim, já era ostentação! (Risos))) Às voltas com muitas paixões, curso de teatro, crises existenciais, mudanças de casa, depressões e busca de sentidos para a vida (risos))))), atravessei décadas sem me dar conta das outras necessidades... Sempre considerei verdadeiramente supérflua a preocupação com dinheiro. Faltou-me poucas vezes, e acredito-me abençoada por isso; mas, hoje, me pergunto o que é ser bem-sucedida em minha idade.

A dúvida quanto a "ter ou não ter dinheiro" (parece piada!) se mistura à dúvida quanto ao meu estilo pessoal (refiro-me a roupas, mesmo), e preciso de algum tempo para me organizar, ou "organizar" os dados em minha cabeça de forma a chegar a alguma conclusão... O que sei é que 2009 chegou trazendo muitas novidades em minha vida: casada, pela primeira vez amando profundamente um homem, flagrei-me fazendo planos a dois que contemplam de estudos a viagens!... Sinto-me feliz, apesar de ansiosa; tenho a sensação de que nada pode permanecer tão "nebuloso", incerto e impreciso como foi até agora. Quero saber qual meu estilo (ainda que sejam múltiplos: adoro a moda dândi, cheia de babados e savoir-vivre; amo os longos vestidos coloridos, feminilíssimos; gosto da calça jeans com regata despojadíssimos, mas que me caem melhor quando estou malhando!...); que patrimônio ambiciono construir, em qual carreira investirei, que prioridades pontuam minha vida...

Aproveitarei para refletir, enquanto corro com minha dissertação de mestrado.

 

    

 

 

Escrito por Sheila Campos às 11h30
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08/01/2009


Presídios brasileiros, uma opinião.

Esclareço de antemão que:

Não sou jornalista;
Não sou cientista social;
Não trabalho em ONGs, não acompanho mil e uma pesquisas, etc.;
Não, eu não sou "legitimada" para emitir opiniões por quaisquer Instituições;
Sou uma leiga; nada me motiva a escrever sobre isso além de minha própria vontade.

Reiterando: é uma simples opinião.

Assisto os telejornais e, mais uma vez, me sinto indignada com a situação do sistema prisional brasileiro!
Que a superlotação, as condições de vida, etc. e tal, sejam desumanas, todos sabemos. O que particularmente não entendo é como podemos manter uma estrutura que visa “reintegrar” o cidadão e o joga em uma “jaula”, simplesmente.

Sou filha de militar.
Aqui discordarei da maioria que conheço: a meu ver, o indivíduo condenado deveria ser enviado a uma espécie de colégio militar, em regime de internato.
Acordar cedíssimo, exercitar-se, estudar toda a manhã com um corpo docente exigentíssimo.
Manter uniforme impecável e botas engraxadas por ele mesmo.
Valorizar o asseio e ter todo o carinho com sua própria aparência.
Ser formado: obrigado a estudar em biblioteca durante suas horas livres, passar por uma grade de disciplinas similar à dos melhores colégios, submeter-se a provas e exames, aprender de administração à poesia.
E trabalhar!
Ser profissionalizado e integrado à uma estrutura produtiva dentro da cadeia que, inclusive, custeasse sua estada lá.
Ocupando de forma construtiva todo o tempo, aprendendo disciplina - a disciplina que tanta falta faz a nós, brasileiros! -, adquirindo habilidade, know how, apropriando-se de todo o processo produtivo, experimentando algumas áreas e, por fim, garantindo uma possibilidade real de recolocação ao término da pena!
Isso, a meu ver, garantiria a "reintegração social" do ex-detento quando de sua liberação.

Mas, o que temos? Tráfico de drogas, continuidade das atividades criminosas, brutalização dos sujeitos.
Rebeliões, captura de reféns, queimas de colchões, destruição das instalações...
E o nosso dinheirinho bancando isso tudo...
Algumas coisas me parecem tão óbvias!
Parece-me tão mais fácil fazer direito, em lugar de mantermos esse caos!...


Pronto, falei!

 

 

 

 

 

Escrito por Sheila Campos às 14h20
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27/11/2008


Aprendizados...

A verdade é que enfrentei tristes dificuldades.

2008 não foi o ano generoso, próspero, riquíssimo em alegrias e conquistas que tinha certeza que seria.

Tantas foram as simpatias, os pulinhos, as lentilhas, as gargalhadas...!... Os melhores presságios... Tinha convicção de que 2008 seria o melhor ano do início do milênio!

 

Mas não posso ser injusta. Às agruras enfrentadas, o destino contrapôs um amor que não mais imaginava experimentar nesta vida!

 

Mudei-me de residência duas exaustivas vezes... A segunda delas, em meio a um “filme de terror” propiciado por uma criatura com a qual me vi obrigada a romper definitivamente relações, tamanha sua perversidade. Muita tensão, muito medo do futuro, muita instabilidade, a velha e indesejável sensação de desamparo; muito chorei e me questionei, e me culpei por minha despreocupação com o futuro, e me torturei em noites insones... Coisas como construir um patrimônio, assumir um financiamento, aprender a aplicar dinheiro; “a vida adulta”, como gosto de definir, parecia jamais ocupar minha “pauta de discussões”. Talvez não me julgasse ainda preparada; talvez não me julgasse, ainda, capaz... Certamente, bastante amedrontada, o fato é que me recusei obstinadamente a galgar esse patamar por um tempo longo, demasiadamente longo...

 

A faculdade em que leciono ameaçou fechar suas portas e, a essa altura, minha exaustão era tamanha que não pude esboçar qualquer reação. Com nada menos que três empregos no primeiro semestre do ano, fora a gigantesca “gestalt” que se transformou minha dissertação de mestrado, vi, finalmente, minha resistência física e emocional chegar ao seu fim. No meio do ano, era uma “corda arrebentada”; findos dois dos compromissos profissionais, mantive apenas a faculdade, porque precisava desesperadamente descansar.

 

E foi em meio a esse turbilhão que me vi invadida, manipulada, pressionada, ofendida. O que pensamos só ocorrer entre adolescentes imaturas e mal-amadas apresentou-se diante de mim, para minha estupefação! Inveja, ciúmes, concorrência, autoritarismo, nem me interessa entender o que motivou tal disparate; quando eu começava a descansar do ritmo sobre-humano ao qual sempre me submetera, fui obrigada a encontrar, inesperada e rapidamente, nova morada.

 

Foi então que você me acolheu, me protegeu, e tem cuidado incansavelmente de mim!... Eu, que julgara que nosso encontro seria uma feliz, mas breve diversão, me vi surpreendida por sua determinada dedicação. Sob a aparência séria, talvez agressiva, você me presenteou com uma amorosidade sem fim!... Bonitos, transparentes, leais e apaixonados, nós nos confortamos um no outro como só quem encontra, enfim, o que sequer sabia esperar pode fazer!...

 

Em meio à tempestade, a vida me maravilhou com um porto seguro. Generosíssima, bondosa, sábia, a vida corrigiu minha trajetória. Durante dois meses, destruídos meu corpo e sentimentos, só pude dormir; adoecera. Foi preciso me recuperar, restaurar minhas forças, retornar do fundo escuro do túnel... O que só foi possível graças à sua vigilância, carinho, atenção. Nossa paixão, nossas inseguranças, nossa certeza de que nos queremos, o que investimos em nós mesmos, o quanto nos dispomos a aprender; eu o amo profundamente e com gratidão, e nunca tudo me pareceu tão perfeito!

 

As coisas acontecem na hora certa. Só agora eu poderia amá-lo, eu, a mulher que temia tanto qualquer vulnerabilidade!... Só agora eu poderia. Depois de mais uma vez morrer e renascer – desta vez, em seu colo.

 

Pela primeira vez fui salva!...

 

 

 

 

 

Escrito por Sheila Campos às 21h01
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10/11/2008


Amar...

Não acredito em "cara-metade".
Acreditei durante muito tempo nisso, mas a ilusão se foi junto com a ingenuidade da adolescência.
Hoje, eu acredito em amor.
Mas não em amor de "novela", em que um "bate o olho" no outro e, pronto!, descobriram-se "predestinados".
Não acredito nessas estruturas de melodrama.

Acredito em amor, e acredito que este é diferente de paixão.
Acredito que a paixão pode vir a se tornar amor, se os dois envolvidos estiverem dispostos a investir na ligação.

Assim, acho "namorar" delicioso!
Acho que "namorar" é o que acontece quando duas pessoas, consciente ou inconscientemente, estão dispostas a "investir na relação".
Uma experiência sempre maravilhosa, com a qual aprendemos demais sobre o outro e, sobretudo, sobre nós mesmos.

Mas acredito piamente que um ou mais namorados que nos queiram profundamente só aparecem quando nós nos queremos tanto assim!
Quando já nos apaixonamos, desapaixonamos e construímos uma relação de amor conosco mesmos.
Quando sabemos ser - e somos! - felizes sozinhos!
Quando não "precisamos" de alguém. Quando a ausência de alguém ao lado não nos faz sofrer, mas continuar vivendo criativa e intensamente nossa própria vida!

E é do fascínio dessa vivacidade, dessa alegria e desse desprendimento que alguém quererá vir dividir seu tempo, seu afeto e sua vida conosco.
Que quererá nos conhecer mais profundamente.
Que quererá fazer parte de nossa vida.

Assim, namorado(a) depende de timing, de maturidade, de entrega, de disponibilidade emocional, de tanta coisa...!...
Acho que depende, mais que qualquer coisa, de já termos "namorado" e "desposado" a nós mesmos!

 

 

Escrito por Sheila Campos às 22h21
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04/11/2008


Enfim, o amor...

Inesperado, inexplicável, mas inequívoco: desde o primeiro encontro, desde o primeiro segundo, minha confiança nele, em “nós”, no momento, foi tão inabalável que nada me afligiu... Uma espécie de paz se espalhou por meu corpo e mente quando ele me tocou; apesar de toda a aparência contrária, ao seu lado eu estava segura.

 

Eu o amo. Tão completa e verdadeiramente, tão profunda e desarmadamente que, finalmente, tenho certeza!...

 

Não pondero, não avalio, não planejo nada; simplesmente, vivo... Mereço isso e presenteio-me: simplesmente, sinto!... Uma certeza serena me governa; certeza de que cada minuto vale à pena, e já é o maior amor de minha vida, já é um amor para a vida toda, ainda que – como nos filmes que tanto acompanho e que preenchem meu imaginário... – alguma catástrofe me afastasse dele.

 

Espécie de “descoberta”, “chegada ao porto”, fim de uma busca: enfim, eu o encontro e sou encontrada.

 

Repouso, feliz, acalentada, inundada, alimentada por este sentimento. Enfim, respiro!...

 

 

Escrito por Sheila Campos às 20h57
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31/08/2008


Perdi minha alma.
Foi arrancada inesperada e repentinamente, e de maneira tão violenta do centro de meu peito, que tive medo da existência.
Desde então, pescoço, colo e seios dilacerados sangram e eu perco a cada minuto o que já não existe em mim.
Esvaio...
Não sei onde está minha alma. Não resta, em mim, sopro de vida.

Você já amou alguém tão profunda e desesperadamente, a ponto de abrir mão de sua própria vida por ele?

Morri a partir do momento em que experimentei esse sentimento.

É como algo que não pode alcançar você. Uma vez tendo alcançado, você estará aniquilado(a).

Como eu.

 

 

 

Escrito por Sheila Campos às 12h55
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05/08/2008


Espelho meu.

Em 2000, apaixonei-me por um paulista.

Mas, como ele viajava constantemente, e eu me consumia em minha insegurança, deixei que se aproximasse de mim um então colega da rádio...

Um doce. Um virginiano obsessivo como eu. Um “bom menino”... Um companheiro irrepreensível.

 

Foi assim que meu namoro com Bruno teve início.

Ele, encantado por mim. Eu, apaixonada por outro.

Porque eu não conseguia ficar sozinha, porque era escrava da minha carência, porque precisava desesperadamente de companhia, de quem cuidasse de mim, de quem me “provasse” que eu ainda vivia, aceitei-o...

E o magoei, traí, machuquei, destruí.

______________________________

Você é amoroso, doce, meigo, educado, gentilíssimo: um principezinho encantado.

Você é bonito, é forte, ardente, desejável: um homem que há muito cobiço...

Mas, dentro de você...

Existe um monstro.

 

Você é autodestrutivo, inconstante, depressivo, indiferente.

Você – parece - não sabe ser amado.

Não consegue...

E eu, que tantos anos lutei para me libertar da patologia, assusto-me diante do espelho que você representa!...

Eu o temo e entendo!... Era tão parecida!

Assustadoramente parecida.

Louca!...

_________________________________ 

 

Começo a entender.

Meu quarto marido, R., que era professor de capoeira, uma vez confidenciou a uma grande amiga minha:

“A Sheila tem um lado lindo!... Ela é meiga, carinhosa, amorosa, generosa, companheira!... Ela é muito especial!... Por isso, é inacreditável que ela tenha o outro lado!... Um monstro! Ela sai de controle, destrói tudo, detona tudo e todos, fere, agride, enlouquece!... Ela machuca quem quer que chegue perto dela! Mas, ao mesmo tempo, a gente sabe da Sheila maravilhosa que existe dentro dela, sabemos que ela é 'outra' !... Por isso, é impossível odiar a Sheila; ela é maravilhosa!...

Mas é louca”!

_______________________________ 

Por toda a minha vida, fui doentiamente perigosa!... Destrutiva, suicida, perdida, desesperada; andava em desatino, desvairada - gania!...

Erupções constantes em minha vida de dor, abandono e ódio faziam de mim uma “fera”... Uma criatura, pessoa perigosa; era sedutora, amável, receptiva - até começar a devorar o outro...

Não conseguia ser amada! Não sabia o que era isso. Por conseqüência, não fazia idéia do que fosse amar alguém – quem quer que fosse. Pais, filha, irmãs, amigos, homens... O máximo de contato que sabia estabelecer era por meio da sedução. E, mesmo isso, era “muito” para mim!

____________________________

Aquela mesma amiga se desespera: “Você precisa se afastar dele! Precisa acabar com isso”!

Não consigo.

Não quero.

Estou fascinada diante do espelho como presa ante a serpente.

Hipnotizada!...

Eu poderia ser facilmente arrastada para um poço de lágrimas, dúvidas, perguntas nunca ouvidas, lamentos, esperança...

Não serei. Eu conheço a patologia. Estou fascinada com sua beleza!... Com a aparência fascinante da loucura!...

Sou como rochedo, cume da montanha, pedra: onda, neve, neblina, você me atravessa e eu permaneço incólume; contudo, não posso me afastar!...

Você é capaz de arrebentar tudo, explodir, mandar pelos ares; permaneço segura, imóvel.

Uma solidez que nunca tive!...

 

Não sei até quando. Por ora, alimentada pelo deslumbramento da descoberta, fico.

Quero-o!... Eu posso ser "um porto seguro".

 

Resta saber se conseguirá permitir que eu permaneça.

 

 

 

 

Escrito por Sheila Campos às 21h24
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04/08/2008


Gostar dói.

Gostar dói.

 

Você muitas vezes sentirá raiva, ciúmes, ódio, frustração.

Faz parte.

Você se relaciona com outro ser, outro “mundo”, “outro universo”. Isto implica em diferenças e aprendizados que podem ser enriquecedores. Ensina sobre respeito e limites.

E nem sempre as coisas saem como você quer...

A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.

Se alguém vier com este papo, corra; afinal, você não é terapeuta.

Se não quer se envolver, relacione-se com uma planta. É mais previsível.

Na vida e no amor, não temos garantias.

E nem todo sexo bom é para namorar.

Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.

Nem todo beijo é para romancear.

Nem todo sexo bom é para se apaixonar. Ou se culpar.

Enfim...

Quem disse que ser adulto é fácil?

(Autor que desconheço)

___________________________________

Dentre a profusão de rostos e corpos e imagens e vozes, eu enxerguei você.

Dentre as múltiplas possibilidades de gostos e afazeres, ocupações e características, eu escolhi você.

Não sei explicar a causa.

Do meu passado, dos tempos remotos em que eu o via – e o temia -, novamente hoje me vi irremediavelmente atraída.

E, em meio às conturbações da sua vida, desejei e decidi:

Estou com você.

 

Mas... As nossas neuroses, juntas, formam uma bomba relógio!

“Tic-tac, tic-tac, tic-tac”…

Uma energia indomável, incontida, irascível, que ninguém é capaz de acalmar!

Uma bomba atômica!

Nossas energias juntas são demais até para nós!

Um dos dois será estilhaçado.

E, como sou mais fraca, serei eu a desintegrar, esfacelar inteira!

 

Você não percebe a minha fragilidade...

 

Você não percebe a minha vontade, meu desejo de simplesmente... Estar com você.

Só com você.

Ainda que por poucas horas. Poucos momentos.

Mas, momentos inteiros. Verdadeiros.

Eu só preciso tocá-lo, vê-lo, conversar com você, permanecer junto. Um pouco.

Preciso...

 

Mas você ainda não enxerga minha fragilidade.

 

 

 

Escrito por Sheila Campos às 07h46
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Gostar dói - conclusão.

Vou ao seu encontro.

Ávidos, a falta um do outro, minha sede do seu corpo...

Entretanto, em pouco tempo, diante de você, me sinto abandonada.

Gente demais, discursos demais, agitação demais entre eu e você...

Nossas carências são de substâncias diferentes.

Nossas carências...

Diante de você, perto de você, ainda assim eu “desabo”: continuo sozinha, solitária.

 

Nossa pior inimiga é nossa carência.

A minha, a sua...

A carência que não permite que fique só. Fisicamente só. Porque mentes só se encontram após algum tempo, e os sentimentos...

Quando “convidados”.

 

Não existe uma paixão genuína que nasça da carência.

O outro apenas supre uma falta, esconde o “buraco” abismal com o qual se lida mal.

O outro está diante de mim, sua presença; no entanto, continuo me esvaindo, escorrendo...

Derreto...

 

E ninguém pode ser culpado.

Ela habita o íntimo, o escuro, o lugar ignorado, que nos escapa, e dessa fortaleza governa atitudes, escolhas, reações.

Um desnível injusto: ela me conhece, cada fraqueza, cada mínimo medo.

Enquanto eu a desconheço, cega.

 

Nossa pior inimiga é nossa carência.

A minha e a sua carência.

Por causa de nossa carência, eu não sei se sou a sua legítima escolha.

Para agora. Para este breve momento.

Por causa de sua carência, eu não sei se, caso me afastasse, você me esperaria.

Por causa de minha carência, tudo me atinge. Você não pronunciar meu nome, não se saber meu amigo, a minha amiga que se interpõe entre nós, sua falta ao combinado, eu o esperando no teatro.

 

Por causa da minha carência, vivo aflita. Não com você, mas comigo. Aflita, alerta, tensa...

Por causa da minha carência, questiono. Eu deveria?, não deveria?, o que faço agora?

Por causa da minha carência, fujo. Tão mais fácil a negação, a “armadura”, minha especialidade: migrar para outro universo, transmutar-me, líquida, fluida!...

Silenciosa...

 

Contra a minha carência, luto.

Esforço-me para que ela não se “enrosque” em meu desejo e me leve a duvidar de tudo!...

Para que não se "misture".

Para que não me confunda.

Para que não me roube a lucidez, a sanidade, a capacidade de julgamento.

__________________________________

Dentre todas as possibilidades deste momento, eu ainda quero você.

Quero ser querida por você.

Desejada...

 

Você ainda está comigo?

 

Dentre todas as manifestações do meu pânico, ainda escolho enfrentá-lo.

Serena, calma, paciente.

Frágil e medrosa...

 

Estou com você...

Ainda está comigo?

 

 

Escrito por Sheila Campos às 07h45
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29/07/2008


"Sumário Atualizado".

Novas pessoas têm visitado meu blog. A fim de "guiá-las" diretamente às postagens que oferecem um desnudamento que sintetiza o muito escrito aqui, sugiro:

 

- Renascimento (Quem eu sou);

- O Pastor e a Pecadora;

- Entre o Sábio e o Samurai;

- Sexo, Mentiras e Internet;

- Breve;

- "A Solidão é Fera, a Solidão devora"...;

- Cartas Antigas;
- Mulher "Inencontrável";
- A diferença entre "Fofo" e "Grotesco";

- Sexo III, ou: Vícios
- Sexo II, ou: Entre Virgens e Vagabundas;
- Leituras;
- Sexo;
- Conclusões, parte I e II;
- As coisas recomeçam?;

- Deus castiga!;
- Dificuldades demasiadamente humanas...
- "Quase" sobre o felicíssimo início de novo ano;
- Carta à minha xará;
-
A difícil admissão da derrota...
- Respondendo à sua mensagem;
- A Raiva depois do Remorso!;
- Fim... de ano;
- O meu "pathos"...

 

Não recomendável para conservadores e/ou menores de 18 anos.

Escrito por Sheila Campos às 11h00
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28/07/2008


Escrito por Sheila Campos às 18h33
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